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terça-feira, 10 de junho de 2014

De Eduardo Pitta

"Triunfo absoluto da ficção"

in Da Literatura, 15maio2014
Hoje na Sábado escrevo sobre Os Memoráveis, de Lídia Jorge (n. 1946), romance que tem a dupla intenção de celebrar os 40 anos da queda da ditadura e de instigar as gerações nascidas em democracia a sair da letargia. Num país onde os intelectuais parecem ter desistido de intervir, em especial os mais jovens, apostados em fazer da abulia um traço distintivo, Lídia Jorge faz parte do reduzido núcleo de autores com intervenção cívica. E como não confunde literatura com o direito às convicções, a obra sai incólume. Os Memoráveis é um grande romance, não pela circunstância de dar voz ao lado “correcto” da História, mas por ser exemplo de alto conseguimento literário. Quem conheça a obra de estreia da autora, O Dia dos Prodígios, sabe que Os Memoráveis fecha o ciclo da esperança. A intriga tem um curioso detonador, mas, ao relato factual, Lídia Jorge opõe a deriva mnemónica. Como num anti-clímax, a precisão do Argumento que fecha o livro dá a medida da distanciação crítica. Triunfo absoluto da ficção, mesmo estando lá o Salgueiro, o Carvalho, o Lourenço, o Antunes, o Vulto que impediu a guerra civil, e outros e outras que rasgaram o tempo. Não falta sequer “a poeta Ingrid”, a quem a narradora chama Varinha Mágica. Que tudo isto seja feito sem proselitismo, num discurso que se abstém de tessitura heróica, não é pequeno mérito.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

[DOS BLOGUES] Do embaixador Francisco Seixas da Costa

Do blogue Duas ou Três Coisas, do embaixador Francisco Seixas da Costa.

SEGUNDA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2011

Lídia Jorge

Já passava das três da manhã quando, num "zapping", surgiu na SIC Notícias uma conversa de Lídia Jorge com António José Teixeira. Fiquei a ver e ouvir até às quatro. Com grande proveito.

Lídia Jorge é uma intelectual atípica. Fala sobre as coisas com uma desarmante sinceridade, sem aqueles falsos improvisos, recheados de frases feitas (e testadas), que alguns dos seus colegas escritores utilizam, para se darem ares de grande originalidade, em especial quando são chamados a pronunciarem-se sobre temas do quotidiano. Há uma candura quase provocatória naquilo que diz, na forma simples, mas ao mesmo tempo profunda, como olha à sua volta, à nossa volta.

À inteligência das questões colocadas pelo António José Teixeira, a escritora não retorquiu com circunlóquios, mesmo quando os temas eram delicados e a curiosidade do entrevistador se mostrava intrusiva, como ´no da política interna da atualidade. Respondeu sempre, serena, genuína, revelando dúvidas, interrogando-se. E ajudando a interrogarmo-nos.

Há muito que gosto de ouvir e ler Lídia Jorge falando de nós, dos portugueses, com uma postura crítica sem auto-flagelação, com uma compreensão por onde perpassa a subliminar tristeza, que também nos é comum, de que tudo "tenha de ser assim". É a atitude de alguém que percebe o país, mas que não desiste dele, que não se refugia numa espécie de desespero cívico.

Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que muitos de quantos possam assistir a esta entrevista sentir-se-ão identificados aquilo que Lídia Jorge nela diz.   

Em tempo: Lídia Jorge passou a colaborar, aos sábados e domingos, com umaa notas algarvias no "Público". A julgar pelas primeira, vale a pena não perdê-las. 

domingo, 31 de julho de 2011

[DOS BLOGUES] Bem observado

por Pedro Correia | 30.07.11 | 2 denúncia(s)
«Às vezes pergunto-me se a esquerda nasceu para governar.»
Lídia Jorge, esta noite, em entrevista à SIC N