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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

[ENTRADAS] Guilherme d’Oliveira Martins

Um Texto Pacifista

"A propósito do ensaio, pensa-se antes na coerência das ideias, nos enlaces de natureza intelectual e cognitiva, na forma de encadear as partes da reflexão. Neste campo, parte-se do pressuposto de que as imagens promotoras da escrita, as que estão carregadas de afecto, encontram-se submersas na corporização das próprias ideias. No caso de “Património, Herança e Memória”, porém, o autor dá a conhecer, com simplicidade, quais os motivos pessoais e emocionais que estiveram na origem deste seu volume de reflexões e deixa entrever como essa motivação configura a própria dinâmica do volume, assumindo por inteiro a matriz biográfica destas suas reflexões" - do texto lido na apresentação de “Património, Herança e Memória: A cultura como criação”, de Guilherme d’Oliveira Martins.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Aposta em Patrícia Reis

Move a história do desencontro

A propósito do primeiro livro de Patrícia Reis. ."Precisamente, esta é a afirmação que me interessa – “Também a Terra tem os seus gestos políticos”. Prescindo da ingenuidade. - As apostas que fazemos uns nos outros nunca escapam ao efeito da contiguidade e da semelhança. Aposto em Patrícia Reis na esperança de que ela saia dos discursos interiores esperáveis, para os inesperados, aqueles que são contaminados pelo decurso da vida onde o outro, a realidade e o seu insondável mistério batam horas, ao mesmo tempo, no grande escuro do Espaço e no interior dum pequeno coração. Tenho a certeza de que “Morder-te o Coração” caminha a grandes passadas para lá. Esse local onde eu mesma quereria estar".

terça-feira, 30 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Conferências de Brasília

Quando os dias voam

"Entusiasmada, uma brasileira começa a recitar Pessoa – “Deus querre, o homem sonha, a obra naisce…” É então que o jovem professor Edvaldo Bergamo vem dizer que há ainda uma forma mais abreviada de falar da utopia. No meio do ruído, ele conta como Jucelino Kubichek foi mais sóbrio. No princípio de Brasília, poucos acreditavam que o lago artificial alguma vez enchesse. Quando choveu e a água escorreu dos córregos, e o lago Panamoá pela primeira vez foi lago e ficou raso, dizem que Jucelino enviou um telegrama a um jornalista seu detractor, nestes termos – “Encheu. Viu?” - da crónica de Lídia Jorge que deu entrada neste blogue.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

[ENTRADAS]  Personagens e espaço

"Literatura e autoritarismo:
José J. Veiga e Lídia Jorge
"


Deu entrada neste blogue, na página [CRÍTICA] - botão em cima-, a comunicação de Edvaldo A. Bergamo no XXII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa, na Universidade Federal da Bahia.

[ENTRADAS] Eduardo Gageiro

Os três reinos

"Dizem que os fotógrafos não são pessoas como as outras. Consta que caminham com metade dos olhos entre as mãos e não fazem separação entre o seu corpo e o Mundo, como as crianças e os animais. Neste último aspecto, compartem a condição com todos os artistas dignos desse nome, e ainda bem que assim acontece. Alguém há-de ter a seu cargo a tarefa de manter activa a relação entre os homens e o íntimo coração das coisas" - do prefácio de Lídia Jorge para o álbum "Silêncios", de Eduardo Gageiro.

domingo, 28 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Nascidos para ler

Em que dia nos transformámos
em leitores para sempre?


"Cada um de nós lembrará a sua história. Recordará um colo, um abraço, um livro colocado na mão de alguém, uma estante, um professor, uma certa noite, um certo dia. Aquele momento e aquela hora em que se associou uma voz humana com a capacidade de multiplicar imagens infinitas dentro da cabeça, e de permeio estavam folhas escritas. Alguém que de súbito põe a mão na máquina que roda o filme das letras, e o cinema começa a correr por dentro da nossa vida. Alguém que depois nos coloca diante duma estante e nos diz – Aqui tens, tantos seres humanos quanto as lombadas, tantos filmes quantas as páginas. És um homem livre" - parte do depoimento que hoje entrou neste blogue.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

[ENTRADAS] O romance, todo este teatro interior

A narrativa que convém ao Mundo

"Como muitos, estou convicta de que o ciclo da Cultura que requereu a Igualdade dos Direitos do Homem e do Cidadão, de que o romance foi a cartilha popular que os ensinou no Ocidente, ainda não está cumprido. Estou convicta que o exercício da cultura crítica e profana que o romance proporciona, por oposição ao absolutismo dos livros sagrados, está no centro das contradições do nosso mundo globalizado. Mais do que isso, estou convicta de que este é um género cujas formas narrativas permitem fazer um anteparo e uma barreira em face da nova narrativa dos media. Essa que, pela sua natureza, não permite nem o antes, nem o depois da catástrofe, permite e está feita, sobretudo, para a difusão da catástrofe. Com o contraponto natural da distracção pelo seu oposto, o grotesco e o banal. Neste campo dual, entre sangue e clown, o romance continua a oferecer um acto de resistência a essa simplificação binária que todos experimentamos" da intervenção de Lídia Jorge, na entrega do Prémio Albatroz, em Bremen, que hoje deu entradaneste blogue.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Póvoa de Varzim

A força do mar

"Lembro-me do que aconteceu. A sala do Auditório Municipal estava repleta, naquele ponto em que a presença de tantos intimida, e no entanto, quem falou, falou do seu medo e da forma como ele age sobre a descoberta, como se ali não estivesse ninguém mais do que um só destinatário. O silêncio escorria das paredes. De todas as intervenções, recordo em especial o texto lido por Tabajara Ruas sobre a descoberta da vida duma mulher louca, encarcerada, e sobre o modo de como esse encontro com o mistério mudou a sua vida de rapaz" - do depoimento que hoje entrou neste blogue sobre as Correntes d'Escritas, na Póvoa do Varzim.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Espelho da alma escondida

Oferta das mulheres aos homens

"(...) dois poemas de Maria Teresa Horta poderiam servir de suporte a uma composição inédita solicitada ao jovem compositor português, João Antunes. Nenhuma outra poeta portuguesa, entre nós, assumiu a expressão poética da sensualidade e da emancipação feminina, antecipando desde os anos setenta, a linguagem comum das mulheres dos nossos dias" - do texto de Lídia Jorge escrito para o concerto da Orquestra do Algarve, "As Palavras Cantadas", que hoje deu entrada neste blogue.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Agustina Bessa-Luís

Como ninguém

"Reparo com mais atenção e de facto alguém está a sorrir na direcção de Agustina, e não é um homem escuro, nem de olhar melancólico. Curiosamente é uma pessoa de compleição germânica, que já se levanta, já se aproxima, curva-se na direcção do nosso assento e começa a falar português. Afinal, Agustina acertou no vaticínio, está encantada" - da crónica que, hoje, deu entrada neste blogue.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

[ENTRADAS] África, nome inscrito

Lugar de chegada




"Como amar África, percorrendo apenas os dedos, sobre um teclado de plástico? – Vergonha. Escrever um texto não passa duma simples metáfora e dum princípio" - da crónica que deu entrada neste blogue.

domingo, 21 de agosto de 2011

[ENTRADAS] A língua não precisa de sal. Apodrece com perfume

O coração da língua

"Porque a língua, ela, toda inteira, nunca parou nem pára, é um sistema em permanente corrupção. A língua não precisa de sal. Apodrece com perfume. O aroma da Língua solta-se ao ser arejada, batida, entrada, removida, um sistema aberto, uma realidade mutável consoante as várias outras realidades que a empurram e a definem, e já o disse, os usos são indomáveis" - do original que deu entrada neste blogue.

sábado, 20 de agosto de 2011

[ENTRADAS] O poeta comportava-se como poeta

Cálice de Porto

"E o rio quase branco, quase de ouro, escorregando como um espelho na direcção do Poente. Abençoados os que ali viviam. A alegria e a serenidade do mundo para os que ali viviam. Felizes também os que ali se encontravam para desfrutar dum fim de tarde como aquele, onde se sentia que por instantes, pelo menos por instantes, a harmonia do mundo poderia ser realidade. Convidados, deveríamos ser uns trinta. Eu não conhecia nenhum dos presentes. Um poeta, recentemente laureado, veio ter comigo. Era um grande bem" - do conto de Lídia Jorge que deu entrada neste blogue.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Frei Bento Domingues

Nosso contemporâneo

"Trata-se apenas de um homem lúcido, nosso contemporâneo, que leva a coragem, de par com o discernimento e a beleza, na ponta dos seus pés, e não se queixa da mágoa que lhe causa – Foi assim que o conheci pela primeira vez, num inverno já distante, a caminhar numa praia, e a associar a força das ondas encadeadas como se fossem uma sombra de Deus. Do seu misericordioso Deus, que vê no rosto de todos, mas não impõe a ninguém".

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

[ENTRADAS] O Bom Acaso

Aos Professores

"E por isso penso em especial nos Professores das Humanidades e nos Professores de Português e dedico-lhes este Doutoramento, pela responsabilidade que lhes cabe na alteração de um paradigma. Uma alteração que lhes permita inscrever a sua ciência, ao mesmo tempo tão indispensável e tão precária, no mundo moldado pela tecnologia cruzada com a contabilidade, a que se junta a publicidade aplicada, empobrecendo de forma tão evidente as sociedades de hoje. Penso no salto difícil que terão de promover, insistindo no mergulho interior dos seus alunos sobre os livros de Literatura a mais densa das Artes, quando todos os apelos são contrários. Dedico-lhes para que não desistam de contribuir para uma harmonia, que afinal é por todos desejada"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Eduardo Lourenço

Trapezista do Absoluto

Entrou neste blogue um dos diversos textos de Lídia Jorge sobre Eduardo Lourenço. Outros entrarão oportunamente. "Na sua escrita inclassificável, entre poesia e ensaio, existe sempre essa marca de projecção psicológica entre clarividência filosófica e tensão emocionada. A mesma emoção que deixa transparecer nos seus improvisos retóricos que os torna únicos."

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Factos estranhos

Casa de campo

Assim começa: "A casa que nos coube em sorte fica mergulhada em flores. Aqui estamos desde ontem. Quando chegámos não vimos paredes, apenas um telhado pousado sobre plantas e uma entrada em madeira sobraçada por um arco de hera. As flores são azuis e rosa, e a unir as duas cores, a buganvília lilás sobe pelas empenas laterais, formando dois ramos, um de cada lado. Neste ninho de frescura, contamos ser felizes por dez dias."

domingo, 14 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Língua portuguesa

Português, língua de distância

"A língua, na plenitude do seu uso, é um instrumento da inconsciência. Pensar nela a partir de dentro, só pode resultar no agradecimento da sua virtude e descrição da sua bondade. Fale-se da língua materna e o mais universalista fica patriota, o mais estrangeirado sente-se saudoso, o mais irónico torna-se reverencial" - do texto de Lídia Jorge publicado na Revue des Deux Mondes, que deu entrada neste blogue.

sábado, 13 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Eça de Queirós

Máquina voadora

"A um ícone não se lhe descobrem feições, apenas se lhe acrescentam flores. Mas no caso de Eça o seu corpo ainda não é de mármore. Vislumbro-o atravessando a Terra, mudando de vapor para vapor e de carruagem para carruagem, apertado de dores de estômago e rindo do mundo como ninguém, até àquele dia de Verão em que regressou da Suíça para se esconder em Paris, definitivamente. Aliás, é em Paris que melhor o vejo" - do texto de Lídia Jorge inserido na coletânea "Retratos de Eça de Queirós".