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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Nesses dias de setembro de 74

O Jumbo que nos trouxe de volta

"É sabido que cada época se define sobretudo pelos sonhos que engendra, mais do que pelos acontecimentos que a tecem. Um dos sonhos que eu alimentava, como jovem da minha geração, era poder conhecer as independências dos vários países emergentes que a revolução reconhecia como primeiro dado. Por mim, imaginava nações tranquilas, a caminho da maioridade política, e do desenvolvimento humano. Imaginava que esse caminho seria já e de imediato. Mas assim não foi. O Jumbo que nos trouxe de volta, era uma espécie de amostra antecipada duma ferida aberta por longos anos, movida pelas guerras civis que se seguiriam depois. Os sonhos adiados, década após década." 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Coelho à caçadora

As caçarolas com os mesmos animais guisados

"À primeira vista, dir-se-ia um fim de dia banal. O restaurante fica ao abrigo do principal cruzamento das estradas, mas uns ingleses com braços tatuados de peixes e dragões bebiam latas de cerveja rente à parreira. Uns italianos de narizes em forma de faca discutiam ruidosamente, no canto oposto do pátio. Naquele momento, os portugueses presentes ainda permaneciam perto da entrada, cumprimentando-se com abraços e socos, e seriam não mais de doze, mas a mesa em forma de T que os espera, tem capacidade para vinte e muitas pessoas, pelo que se deduz que ainda não tenham chegado todos. São um grupo de homens, aficionados em pitéus de coelho e rola, apesar de não se tratar de caçadores. Os seus pais ou avós talvez o tenham sido, por certo os seus bisavós. Seus dignos herdeiros." Do conto de Lídia Jorge que deu entrada neste blogue.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Dedicou-se ao poema sem pausa nem pressão

Eugénio de Andrade

"(...) Lembro-me de como depois Eugénio de Andrade se levantou, como sacudiu o cabelo, como se dirigiu à janela, de onde se via um jardim, como regressou de lá, ofendido e alterado. Não era uma questão de honra, era uma questão de poema. Era uma questão de poetas. Eugénio de Andrade não podia abdicar da decência da Poesia em nome da caridade pela figura daquele que faz uns versos, ornatos da vida diária." Entrou neste blogue o texto de Lídia Jorge escrito para a 5.ª edição de "Os Sulcos da Sede"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Dispensa mapas

Como um relâmpago a origem do Mundo

Crónica de Lídia Jorge publicada no Libération (1 de janeiro de 2000) e que se recupera. "Não por Deus, que nunca falará, nunca estará nos confins do Cosmos com um banquete de rosas à nossa espera. Mas pela dúvida sobre a existência ou não desse banquete. Na verdade, há muito que se diz termo-nos cruzado com a morte de Deus, mas é mentira. As culturas, até agora, têm-se construído na dúvida sobre a sua morte, mas jamais se organizaram sobre o princípio da sua inexistência. Sobre a interrogação, sim. Modestamente, diante das terras secas do meu país, temo que indo os sábios até aos confins da matéria e dos astros, se apague a Dúvida, rainha do nosso pensamento e da nossa esperança. Se assim for, é possível que os homens sobrevivam."

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Carlos Reis sobre "A Noite das Mulheres Cantoras"

O romance como rosto do mundo

Deu entrada neste blogue o texto do Prof. Doutor Carlos Reis lido na apresentação do romance "A Noite das Mulheres Cantoras", a 24 de março de 2011, na Casa Fernando Pessoa. "Caso singular, Lídia Jorge opera dentro de uma literatura que não cultiva sistematicamente nem as experiências do concreto nem o conhecimento material da realidade; pelo contrário, a literatura é considerada entre nós ou um ornamento ou cosa mental, abstracta. Aqui reside a linha de força original deste primeiro romance-surpresa de Lídia Jorge."

[ENTRADAS] Em Tavira

Um rei depositou a coroa nos telhados

"Do rei nada sabemos, da coroa, conhecemos os sótãos alinhados diante do rio e a forma geométrica da pirâmide. Fechamos os olhos e sabemos que há tesouros piramidais sobre as casas que olham para o Gilão. Mas do que eu mais gosto é do percurso. Os dias estão quentes, atrás ficou a Pousada, a Escadaria, a chave e a sombra, o nosso destino é a Ilha. Para tanto é preciso atravessar as Quatro Águas, as palmeiras, as salinas, e lá em frente, ao fundo, vê-se o embarcadoiro. É aí que está atracado o pequeno barco em forma de mosquito que nos vai levar" (...) - de uma nota de Lídia Jorge para livro com coordenação editorial do Centro Nacional de Cultura (2006) e que aqui se recupera.

domingo, 7 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Sándor Márai

As Velas Ardem até ao Fim

Depoimento datado de agosto de 2007, mas sugestão atualizada, a da leitura do romance de Sándor Márai. "Quando pretendo ler em voz alta umas páginas que ilustrem como a narrativa feita com palavras continua a ser única na reprodução dos conflitos humanos, seus abismos e seus sonhos mais íntimos, escolho aquela passagem em que um dos personagens, Konrád, pretende matar o seu amigo numa madrugada, no meio da floresta".

sábado, 6 de agosto de 2011

[ENTRADAS] O que sentirão as tuas árvores

Carta a uma filha

Prosseguindo nesta senda de recuperação de textos dispersos de Lídia Jorge, deu entrada neste blogue uma crónica publicada em 2009 mas intemporal, como habitualmente com a data inicial, neste caso, a data em que foi escrita.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Um miúdo de “Aniki-Bóbó” que cresceu

Manoel de Oliveira

"Tenho dificuldade em definir o que seja cinema puro, e no entanto, quando ouço falar do conceito, associo-lhe de imediato três nomes – Akira Kurosawa, Andrei Tarkovsky e Manoel de Oliveira. Reconheço-lhes por igual a mesma capacidade de transmitir uma personalidade criadora, a mesma intensidade dramática com lógica de palco, e a mesma demanda ontológica através da narrativa literária" (...) "O homem que se senta junto de nós, e fala da sua arte com a forma notável como o faz, é apenas um miúdo de “Aniki-Bóbó” que cresceu demasiado e está produzindo com a velocidade própria dos grandes criadores" - do texto de Lídia Jorge incluído num livro de homenagem a Manoel de Oliveira.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

[ENTRADAS] As duas humanidades

Excepções e regra

"(...) as duas humanidades, na totalidade, são as duas mães da Humanidade, e elas não se afirmam nem se salvam se não estiverem em conjunto. Sabemos que quanto mais pobres, mais teocráticas, mais ditatoriais forem as sociedades, mais subalterno será o seu papel. Por isso mesmo, as mulheres portuguesas que pela História ficaram durante tanto tempo dependentes das sombras e das metáforas para dizerem eu existo, poderão vir a ser importantes, na aproximação, encontro e diálogo entre culturas e modos de vida diferentes. As mulheres portuguesas, para quem todo um passado baço e submisso ainda é tão presente, por irrecusável dever de semelhança, poderão lutar pelos Direitos das Mulheres, como parte integrante e inseparável, dos mais elementares Direitos Humanos." - do depoimento de Lídia Jorge para o álbum fotográfico "Mulheres Portuguesas" de Gonçalo Cunha de Sá , depoimento que deu entrada neste blogue.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

[ENTRADAS] Um rasgão na realidade

Este chão que marca

"Pertenço ao grupo de escritores que consideram que os continentes, os países, as cidades ou as pequenas terras, uma vez inscritos no espaço da Literatura, só valem porque permitem descobrir aquilo que procuramos com a escrita – o entendimento do coração profundo dos homens. Por ventura, a luz viva, que por aqui tanto nos encandeia, abre um rasgão na realidade, de uma maneira tão particular que põe a nu o seu pulsar universal" - é parte do depoimento de Lídia Jorge para a exposição que a sua terra natal dedicou à sua obra (11 de dezenbro de 2010 a 31 de março de 2011) e que deu entrada neste blogue.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

[ENTRADAS] "Escrevam, por favor..."

Ajudar uma criança a ser autor

Da nota para um livro infanto-juvenil: "Imagino como será bom ser-se aluno desta escola, poder em cada manhã sentar-se a pessoa nos bancos da sala de aula, abrir os cadernos e encontrar professores capazes de lhe ensinar a ler os livros próprios para a sua idade e sua imaginação, professores capazes de ajudar a colocar as palavras certas nos locais exactos das frases que estão inventando.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

[ENTRADAS] "Como escrevo"

Imaginar as implicações

"Mas não conto o desfecho. Meia noite em ponto. Ainda estará alguém, lá em baixo, no bar do hotel, que sirva uma sanduíche ou um bolo?" Texto de Lídia Jorge publicado na revista Time Out, faz um ano. Podia ser hoje.

domingo, 31 de julho de 2011

[ENTRADAS] Acaso viajar não é isso?

Mostruário de um sonho

Diz assim: "Que os israelitas desculpem que o seu povo e as suas cidades nunca desencadeiem pensamentos apenas sobre o seu povo e as suas cidades, antes ofereçam a partir de si o início de pensamentos sobre todas as outras cidades do mundo. E acaso viajar não é isso? Reconhecer em todos os outros lugares a raiz do nosso próprio mundo? Por alguma coisa, perto da Praça Dizengof existe uma placa que evoca o nome de Zamenhof, o criador do esperanto, esse sonho de língua que nos uniria a todos." Uma crónica de há quatro anos que está atual.

sábado, 30 de julho de 2011

[ENTRADAS] O escrever como saber

Ortografia

Deu entrada neste blogue o texto de Lídia Jorge sobre a importâmcia da ortografia: "O desembaraço mental em face das distinções ortográficas funciona para a Língua Materna como a Tabuada funciona no domínio do cálculo matemático — favorece a rapidez, automatiza nexos, poupa e prepara para avançar nos raciocínios e associações"- uma afirmação; e uma pergunta: "Explicar o que significam etimologicamente consideração, bissectriz, ou protozoário, não será da responsabilidade do professor que usa as palavras para se fazer entender?"

[ENTRADAS] Sobre uma página de Marguerite Yourcenar

Como termina Golpe de Misericórdia

Entrou neste blogue o depoimento de Lídia Jorge:publicado no Jornal de Letras (1 de agosto de 2009) sobre a página final de um livro, um final que é um dos mais belos e surpreendentes da narrativa contemporânea.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

[ENTRADAS] Teses e dissertações

Entraram mais 9 registos de Teses de Doutoraentos e Dissertações de Mestrados sobre a olbra literária de Lídia Jorge, na página autónoma Teses - clicar no botão em cima ou consultar  aqui

quinta-feira, 28 de julho de 2011

[ENTRADAS] Segredos de uma história

Para um destinatário ignorado

Entrou neste blogue o seguinte texto datado de Lídia Jorge:
  • Intervenção na Universidade de Maryland (4.° Congresso da American Portuguese Studies Association), em outubro de 2004,  ler  aqui

[ENTRADAS] Teses e dissertações

Deram entraram na página de Teses os registos de dez teses de doutoramentos e de dissertações de mestrados sobre a obra de Lídia Jorge. Contamos fazer muito em breve nova atualização da referida página.

  • Consultar no botão em cima, ou  aqui

quarta-feira, 27 de julho de 2011

[ENTRADAS] José Saramago

A questão Saramago

Deu entrada neste blogue, o depoimento de Lídia Jorge publicado no ABC (20 junho 2010) sobre José Saramago.

  • José Saramago Ler  aqui