Passagem por Jerusalém
"Como se sabe, ali três Livros Sagrados entrelaçam as páginas por cima das cúpulas de pedra, e nem sempre houve lugar para virá-las todas ao mesmo tempo. Os recentes ciprestes que unem as fachadas parecem dizer que Deus só falou uma vez, e as divergências apenas resultam das cópias sucessivas dessa única fala. Perigoso mesmo até ao risco de morte é que as divergências sejam motivo, ou pretexto, para o desentendimento. Como em nenhuma outra cidade, em Jerusalém, cidade que transporta o sinal da paz no seu nome, se resume a sorte guerreira da Terra inteira" - da crónica de Lídia Jorge hoje arquivada neste blogue.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Depoimento de Karin von Schweder-Schreiner
Quando a Alemanha abre um livro português
"(...) na Alemanha existe sim um interesse, um fascínio pela cultura portuguesa, embora menos do que seria de desejar. O mercado livreiro alemão é dominado pelos livros traduzidos do inglês, sobretudo do inglês americano. Um autor português tem que ser muito bom para ser publicado na Alemanha, mas mesmo sendo muito bom sempre terá dificuldades em conquistar o grande público. Infelizmente, o gosto majoritário tende a consumir leituras mais fáceis, como os bestseller americanos. Mas os autores como Lídia que têm os livros publicados na Alemanha, têm um público fiel" - do depoimento da tradutora Karin von Schweder-Schreiner que hoje deu entrada neste blogue.
"(...) na Alemanha existe sim um interesse, um fascínio pela cultura portuguesa, embora menos do que seria de desejar. O mercado livreiro alemão é dominado pelos livros traduzidos do inglês, sobretudo do inglês americano. Um autor português tem que ser muito bom para ser publicado na Alemanha, mas mesmo sendo muito bom sempre terá dificuldades em conquistar o grande público. Infelizmente, o gosto majoritário tende a consumir leituras mais fáceis, como os bestseller americanos. Mas os autores como Lídia que têm os livros publicados na Alemanha, têm um público fiel" - do depoimento da tradutora Karin von Schweder-Schreiner que hoje deu entrada neste blogue.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Estava ali metido numa mesa de esguelha
Piano-bar
"Quando se tem histórias dentro da cabeça, sai-se para a rua e encontram-se duas, volta-se para casa e acham-se três, e se por uma certa noite de Primavera, se sai para jantar à luz das velas, encontra-se uma cena, tão poderosa, que uma pessoa não pode deixar de contá-la. Desta vez foi assim - A mesa estava à nossa espera. Em volta o restaurante, castanho e bege, parecia saído dum sonho antigo (...) " - da crónica de Lídia Jorge, hoje arquivada neste blogue.
"Quando se tem histórias dentro da cabeça, sai-se para a rua e encontram-se duas, volta-se para casa e acham-se três, e se por uma certa noite de Primavera, se sai para jantar à luz das velas, encontra-se uma cena, tão poderosa, que uma pessoa não pode deixar de contá-la. Desta vez foi assim - A mesa estava à nossa espera. Em volta o restaurante, castanho e bege, parecia saído dum sonho antigo (...) " - da crónica de Lídia Jorge, hoje arquivada neste blogue.
sábado, 24 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Gracinda Candeias
Memórias do longe
"A abstracção de Gracinda Candeias assenta num desvario contido, enquadrado como se fosse uma vitrina ou uma redoma, sustido, poupado, transfigurado em manchas significativas. Formas como se fossem apenas formas, e no entanto, histórias. Histórias em repouso serenado, sensualidade resguardada, vidro ferido. De longe, para longe. E no intervalo, a proximidade inscrita" do texto para o álbum de serigrafias "Datura", de Gracinda Candeias, hoje arquivado neste neste blogue.
"A abstracção de Gracinda Candeias assenta num desvario contido, enquadrado como se fosse uma vitrina ou uma redoma, sustido, poupado, transfigurado em manchas significativas. Formas como se fossem apenas formas, e no entanto, histórias. Histórias em repouso serenado, sensualidade resguardada, vidro ferido. De longe, para longe. E no intervalo, a proximidade inscrita" do texto para o álbum de serigrafias "Datura", de Gracinda Candeias, hoje arquivado neste neste blogue.
- "No interior das suas transparências, fica uma dedada de matérias várias"- ler na íntegra → AQUI
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Quando se quer escrever sobre uma cidade
Lisboa existe
"Uma recolha de textos publicada há anos em França, tem por título LISBONNE N’EXISTE PAS. Muitos dos textos que lá se encontram são dos melhores que alguma vez foram escritos sobre esta cidade. Possivelmente, o título surgiu desse desafio, ou esse desafio surgiu desse título, a ordem não importa. O que interessa é que ele coloca a questão no sítio certo – Quando se quer escrever sobre uma cidade, ela parece não existir fora de nós, a totalidade perde-se, a realidade some-se. Ficamos com a sensação da traça perdida no armário, entre costuras e enchumaços" – do texto hoje arquivado neste blogue.
"Uma recolha de textos publicada há anos em França, tem por título LISBONNE N’EXISTE PAS. Muitos dos textos que lá se encontram são dos melhores que alguma vez foram escritos sobre esta cidade. Possivelmente, o título surgiu desse desafio, ou esse desafio surgiu desse título, a ordem não importa. O que interessa é que ele coloca a questão no sítio certo – Quando se quer escrever sobre uma cidade, ela parece não existir fora de nós, a totalidade perde-se, a realidade some-se. Ficamos com a sensação da traça perdida no armário, entre costuras e enchumaços" – do texto hoje arquivado neste blogue.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Uma leitura de "Contrato Sentimental"
Um possível Portugal num futuro distante
Diz Fabio Mario da Silva: " (...) esta obra de Lídia Jorge é de fundamental relevância para os estudos da cultura portuguesa e vem dar seu contributo para (re)pensar esta sociedade, a partir de uma visão do macro (mundo globalizado) para o micro (cultura portuguesa). No levantamento breve nota-se que o vocábulo futuro é constantemente utilizado como quem almeja um outro país, que consiga sobreviver sem insistir tanto em olhar para o passado, todavia consiga enxergar a sua história passada apenas como um grande patrimônio cultural e não como único ato de sobrevivência da atual sociedade, porque se esta atitude e posicionamento não mudar, acarretará uma grande problemática: 'Nada nos garante que no futuro não existam portugueses que assumam sê-lo com orgulho, mas que se tornem indiferentes ao destino de um país chamado Portugal´ " - da recensão publicada na revista Navegações | Porto Alegre, que hoje deu entrada neste arquivo.
Diz Fabio Mario da Silva: " (...) esta obra de Lídia Jorge é de fundamental relevância para os estudos da cultura portuguesa e vem dar seu contributo para (re)pensar esta sociedade, a partir de uma visão do macro (mundo globalizado) para o micro (cultura portuguesa). No levantamento breve nota-se que o vocábulo futuro é constantemente utilizado como quem almeja um outro país, que consiga sobreviver sem insistir tanto em olhar para o passado, todavia consiga enxergar a sua história passada apenas como um grande patrimônio cultural e não como único ato de sobrevivência da atual sociedade, porque se esta atitude e posicionamento não mudar, acarretará uma grande problemática: 'Nada nos garante que no futuro não existam portugueses que assumam sê-lo com orgulho, mas que se tornem indiferentes ao destino de um país chamado Portugal´ " - da recensão publicada na revista Navegações | Porto Alegre, que hoje deu entrada neste arquivo.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Poderoso criador de fábulas
Gonçalo M. Tavares
"Ou seja - Abrir os seus livros é ir ao encontro de figuras que parecem sair do interior da Terra, ou criaturas aéreas que de súbito pousam no nosso espaço, vagueando à nossa volta de propósito para nos mostrarem um desígnio de entendimento que falta – São figuras proféticas, amantes, loucos, pacientes, pobres condenados, pedintes, prostitutas, médicos em prova consigo mesmos, escritores suspensos no tempo, criaturas que parecendo num primeiro momento não ser deste mundo, em breve nelas reconhecemos o rosto dos vários indivíduos que nos habitam em silêncio, a ponto de toda essa corporação de alienígenas se transformar em seres e vozes familiares. Essa é a principal proeza dos livros de Gonçalo M. Tavares (...) " - da apresentação de Gonçalo M. Tavares por Lídia Jorge, no Centre National du Livre, Paris, que hoje deu entrada neste arquivo.
"Ou seja - Abrir os seus livros é ir ao encontro de figuras que parecem sair do interior da Terra, ou criaturas aéreas que de súbito pousam no nosso espaço, vagueando à nossa volta de propósito para nos mostrarem um desígnio de entendimento que falta – São figuras proféticas, amantes, loucos, pacientes, pobres condenados, pedintes, prostitutas, médicos em prova consigo mesmos, escritores suspensos no tempo, criaturas que parecendo num primeiro momento não ser deste mundo, em breve nelas reconhecemos o rosto dos vários indivíduos que nos habitam em silêncio, a ponto de toda essa corporação de alienígenas se transformar em seres e vozes familiares. Essa é a principal proeza dos livros de Gonçalo M. Tavares (...) " - da apresentação de Gonçalo M. Tavares por Lídia Jorge, no Centre National du Livre, Paris, que hoje deu entrada neste arquivo.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
[ENTRADAS] A beleza está no seu lugar
O filme e o livro
"O número de imagens que um livro oferece são infinitas, as imagens de um filme são finitas. Da passagem de uma coisa para a outra existe um transvaze inevitável, onde alguma coisa em geral se perde em número e alguma se ganha em intensidade. No caso de “A Costa dos Murmúrios”, apesar de ter tido conhecimento prévio do argumento, e do cenário das filmagens não ser propriamente um mistério, o resultado do filme foi-me bastante surpreendente. As primeiras imagens surgiram e eu compreendi que a história que tinha escrito, sob as mãos da Margarida, e o corpo dos actores, havia-se transformado numa outra realidade, reescrita à luz de um outra invocação" - do depoimento de Lídia Jorge sobre o filme de Margarida Cardoso, hoje arquivado neste blogue.
"O número de imagens que um livro oferece são infinitas, as imagens de um filme são finitas. Da passagem de uma coisa para a outra existe um transvaze inevitável, onde alguma coisa em geral se perde em número e alguma se ganha em intensidade. No caso de “A Costa dos Murmúrios”, apesar de ter tido conhecimento prévio do argumento, e do cenário das filmagens não ser propriamente um mistério, o resultado do filme foi-me bastante surpreendente. As primeiras imagens surgiram e eu compreendi que a história que tinha escrito, sob as mãos da Margarida, e o corpo dos actores, havia-se transformado numa outra realidade, reescrita à luz de um outra invocação" - do depoimento de Lídia Jorge sobre o filme de Margarida Cardoso, hoje arquivado neste blogue.
domingo, 18 de setembro de 2011
[ENTRADAS] A Terra vista do espaço
O que mais desejava ver
"Dizem que avistada a partir de escassos quilómetros, já não se sabe onde começam e acabam os países, que tudo são apenas montanhas, rios, planícies, mares, ocultados por nuvens que se deslocam em forma de farrapos e massas circulares. Isto é, ainda não se saiu da atmosfera, e já a Terra deixa de ser política, passa a ser apenas o que é - um planeta, uma realidade geográfica. Dizem que é esse sentimento de coisa única que nos faz sentir que somos uma só humanidade, a última face da humanidade, tão transitória como foi a que nos precedeu e como será aquela que estará para vir (...) - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
"Dizem que avistada a partir de escassos quilómetros, já não se sabe onde começam e acabam os países, que tudo são apenas montanhas, rios, planícies, mares, ocultados por nuvens que se deslocam em forma de farrapos e massas circulares. Isto é, ainda não se saiu da atmosfera, e já a Terra deixa de ser política, passa a ser apenas o que é - um planeta, uma realidade geográfica. Dizem que é esse sentimento de coisa única que nos faz sentir que somos uma só humanidade, a última face da humanidade, tão transitória como foi a que nos precedeu e como será aquela que estará para vir (...) - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
- "Dizem que, uma vez regressados, aqueles que a vêem do espaço não entendem mais por que nos espadeiramos uns aos outros. Eu quereria experimentar tudo isso, olhando a Terra de longe, como se estivesse a passear num jardim feito de coisa nenhuma, e de repente, sentisse que ali estava a minha morada." - ler na íntegra → AQUI
sábado, 17 de setembro de 2011
[ENTRADAS] A perspectiva da maga
Permanente exercício de translação
"Agustina vê-se a si mesma numa perspectiva de futuro, e escreve e fala na perspectiva da maga. O molde que encontrou para esse salto fora do tempo e do género, nos livros, foi a sentença e a epígrafe. Na discussão, foi a exploração do adverso, isto é, da contradição revestida do irónico, e até do irónico prazenteiro. Porque Agustina, como se lhe reconhece, sabe rir do mundo como ninguém. Como poucos, ri de todos, e entre todos - ao contrário do processo usado por muitos - ela mesma, lá não está" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
"Agustina vê-se a si mesma numa perspectiva de futuro, e escreve e fala na perspectiva da maga. O molde que encontrou para esse salto fora do tempo e do género, nos livros, foi a sentença e a epígrafe. Na discussão, foi a exploração do adverso, isto é, da contradição revestida do irónico, e até do irónico prazenteiro. Porque Agustina, como se lhe reconhece, sabe rir do mundo como ninguém. Como poucos, ri de todos, e entre todos - ao contrário do processo usado por muitos - ela mesma, lá não está" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
- "Para Agustina-Bessa Luís, o contraditório é o chão do pensamento. Quem não entender essa sua raiz profunda terá dificuldade em compreender a obra que produziu, o vínculo que estabelece com o mundo, com os livros, e até mesmo o tipo de relação que mantém com os colegas de quem é contemporânea" - ler na íntegra → AQUI
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
[ENTRADAS] O assunto levar-nos-ia longe.
Para que servem os intelectuais?
"Até há pouco tempo pensava-se que ao esplendor de uma obra correspondia necessariamente o esplendor de uma razão iluminada, mas hoje admira-se a obra sem necessariamente se dar crédito à opinião do seu autor. Isso, na minha ideia, constitui um progresso tão grande como separar a personagem do seu intérprete. Significa que as pessoas estão mais avisadas sobre a diferença de planos. Por exemplo, toda a gente hoje sabe que a opinião ideológica era a moldura que até há poucas décadas ditava a “inclinação” que conduzia à tomada de partido por este ou outro assunto, mesmo quando pouco ou nada se percebia sobre ele, mas essa situação não se compagina mais com o mundo de informação aberta. Muitas vezes aquilo que se chama a cobardia dos ditos intelectuais de agora não passa de uma hesitação perante realidades em conflito quando se desconhece uma parte da situação" - das respostas a questionário de Filipa Melo, hoje arquivadas neste blogue.
"Até há pouco tempo pensava-se que ao esplendor de uma obra correspondia necessariamente o esplendor de uma razão iluminada, mas hoje admira-se a obra sem necessariamente se dar crédito à opinião do seu autor. Isso, na minha ideia, constitui um progresso tão grande como separar a personagem do seu intérprete. Significa que as pessoas estão mais avisadas sobre a diferença de planos. Por exemplo, toda a gente hoje sabe que a opinião ideológica era a moldura que até há poucas décadas ditava a “inclinação” que conduzia à tomada de partido por este ou outro assunto, mesmo quando pouco ou nada se percebia sobre ele, mas essa situação não se compagina mais com o mundo de informação aberta. Muitas vezes aquilo que se chama a cobardia dos ditos intelectuais de agora não passa de uma hesitação perante realidades em conflito quando se desconhece uma parte da situação" - das respostas a questionário de Filipa Melo, hoje arquivadas neste blogue.
- "Há obras geniais repassadas de humanidade, saídas da mão de criadores a quem não se pode confiar durante uma hora o nosso animal de estimação, e há artistas boas pessoas que não conseguem fazer uma obra que vá além do sofrível. Entre uma e outra espécie, existe uma variedade de combinações infinitas."- ler na íntegra → AQUI
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Conto breve
Filme com pássaros
"Num lindo filme americano, Ben tinha visto um rapaz da sua idade abrir a janela, chamar pelos pássaros, e de imediato eles logo vinham ter à sua mão. Então o rapaz oferecia-lhes grãos de arroz e eles agradeciam-lhe voando para cima do seu ombro. Mas consigo não era bem assim. Ben morava na Avenida dos Estados Unidos da América, abria a janela do seu quarto e em frente só havia prédios altos e o vento sempre a soprar. Uma verdadeira muralha de prédios. Ainda por cima, a mãe, numa manhã de Inverno, disse – “Surpresa!” - do pequeno conto infantil de Lídia Jorge que hoje deu entrada neste blogue.
"Num lindo filme americano, Ben tinha visto um rapaz da sua idade abrir a janela, chamar pelos pássaros, e de imediato eles logo vinham ter à sua mão. Então o rapaz oferecia-lhes grãos de arroz e eles agradeciam-lhe voando para cima do seu ombro. Mas consigo não era bem assim. Ben morava na Avenida dos Estados Unidos da América, abria a janela do seu quarto e em frente só havia prédios altos e o vento sempre a soprar. Uma verdadeira muralha de prédios. Ainda por cima, a mãe, numa manhã de Inverno, disse – “Surpresa!” - do pequeno conto infantil de Lídia Jorge que hoje deu entrada neste blogue.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
[ENTRADAS] E nisso são irmãos gémeos dos escritores
Editores | Laços de Família
" (...) eu pensava em Doroteia Bromberg naquela noite, em Estocolmo, quando a vi caminhar pela neve fora, rebocando um carrinho com os livros. Ela mesma, a editora de vários Prémio Nobel, ela mesma estendeu os livros sobre a mesa, expô-los, vendeu-os, guardou os que sobejaram, empurrou o carrinho ao longo da rua coberta de neve, e eu que ia atrás, a ver como os colocava na bagageira do seu carro, pensava na sua distinção, no seu respeito pelos autores, a sua cumplicidade, sua defesa, sua luta por umas histórias vindas de longe" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
" (...) eu pensava em Doroteia Bromberg naquela noite, em Estocolmo, quando a vi caminhar pela neve fora, rebocando um carrinho com os livros. Ela mesma, a editora de vários Prémio Nobel, ela mesma estendeu os livros sobre a mesa, expô-los, vendeu-os, guardou os que sobejaram, empurrou o carrinho ao longo da rua coberta de neve, e eu que ia atrás, a ver como os colocava na bagageira do seu carro, pensava na sua distinção, no seu respeito pelos autores, a sua cumplicidade, sua defesa, sua luta por umas histórias vindas de longe" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
domingo, 11 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Armanda Passos
Moeda de ouro que a pintura pode dar
"Os grandes artistas não têm medo de enfrentar o lugar da carne antiga, da cabeça com vários olhos, ou o resto da nossa língua bífida, nem evitam o diálogo com os habitantes da lama e os habitantes das árvores. Os artistas sabem ir ao encontro desse terror e ao mesmo tempo dessa sublimação que nos faz pertencer a uma outra totalidade. O grande artista diz aos outros – Vejam como eu, todas as noites, me encontro com o impronunciável. Convido-vos a vir também. Foi essa viagem que, durante vários anos, eu aceitei fazer através de um quadro da Armanda Passos. Era apenas um bando de pássaros que me levava para esse lugar onde as coisas estremecem. E era bom" - do texto de Lídia Jorge para catálogo de Armanda Passos, hoje arquivado neste blogue.
"Os grandes artistas não têm medo de enfrentar o lugar da carne antiga, da cabeça com vários olhos, ou o resto da nossa língua bífida, nem evitam o diálogo com os habitantes da lama e os habitantes das árvores. Os artistas sabem ir ao encontro desse terror e ao mesmo tempo dessa sublimação que nos faz pertencer a uma outra totalidade. O grande artista diz aos outros – Vejam como eu, todas as noites, me encontro com o impronunciável. Convido-vos a vir também. Foi essa viagem que, durante vários anos, eu aceitei fazer através de um quadro da Armanda Passos. Era apenas um bando de pássaros que me levava para esse lugar onde as coisas estremecem. E era bom" - do texto de Lídia Jorge para catálogo de Armanda Passos, hoje arquivado neste blogue.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Os cinco taxistas só olhavam, um deles ria.
De noite
"Enquanto a ambulância não chegava, eu fiquei a saber que esta mulher tinha três crianças, estava sem emprego, e fora uma sua amiga, a mãe da miúda branca, quem a mandara acompanhar a mulher, que lá ia na ambulância. Soube pela menina de nove anos. Não soube mais nada da vida desta menina, mais nada da vida desta mulher. Se sobreviveu e vive com os seus três filhos, sou sua irmã" - da crónica de Lídia Jorge, lida no programa Prós e Contras, hoje arquivada neste blogue.
"Enquanto a ambulância não chegava, eu fiquei a saber que esta mulher tinha três crianças, estava sem emprego, e fora uma sua amiga, a mãe da miúda branca, quem a mandara acompanhar a mulher, que lá ia na ambulância. Soube pela menina de nove anos. Não soube mais nada da vida desta menina, mais nada da vida desta mulher. Se sobreviveu e vive com os seus três filhos, sou sua irmã" - da crónica de Lídia Jorge, lida no programa Prós e Contras, hoje arquivada neste blogue.
- "Se morreu, sou sua irmã duas vezes.", ler na íntegra → AQUI
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
[ENTRADAS] "Tentação", "Espelho", "Crise"...
15 conceitos
Por exemplo, sobre o conceito de AVENTURA: "O primeiro passo da criança, entre o berço e a porta. O último passo do velho, entre a porta e a cama. No intervalo, a viagem à volta da Terra ou o voo até às crateras da Lua" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
Por exemplo, sobre o conceito de AVENTURA: "O primeiro passo da criança, entre o berço e a porta. O último passo do velho, entre a porta e a cama. No intervalo, a viagem à volta da Terra ou o voo até às crateras da Lua" - do depoimento de Lídia Jorge, hoje arquivado neste blogue.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Chamar as palavras
Conto para Saïd
O Signo da Brevidade
"Tudo começa, em geral, por um achado surpreendente que vem da rua, do voo dum pássaro, duma confissão rápida, uma imagem fugaz no autocarro, acontecida no afã da vida diária, na pressa de existir, no desencontro pelas portas. Um caso raro cujo sentido brilha no escuro porque não se resolve, porque resiste à sua solução, não se conforma com o nosso entendimento prosaico. E porque surge essa imagem, carregada de mistério, se não surgiu para que o seu sentido possa ser dirimido? Como vai ser resolvido o enigma? Não irá sê-lo agora, não irá sê-lo nunca mais? – Nesse caso, então, é preciso ser escrito" - do original de Lídia Jorge destinado para antologia árabe (Saad Warzazi Éditions, Marrocos) que deu entrada neste blogue.
O Signo da Brevidade
"Tudo começa, em geral, por um achado surpreendente que vem da rua, do voo dum pássaro, duma confissão rápida, uma imagem fugaz no autocarro, acontecida no afã da vida diária, na pressa de existir, no desencontro pelas portas. Um caso raro cujo sentido brilha no escuro porque não se resolve, porque resiste à sua solução, não se conforma com o nosso entendimento prosaico. E porque surge essa imagem, carregada de mistério, se não surgiu para que o seu sentido possa ser dirimido? Como vai ser resolvido o enigma? Não irá sê-lo agora, não irá sê-lo nunca mais? – Nesse caso, então, é preciso ser escrito" - do original de Lídia Jorge destinado para antologia árabe (Saad Warzazi Éditions, Marrocos) que deu entrada neste blogue.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
[ENTRADAS] António Paulouro
Cesto de cerejas
"Certa vez, António Paulouro veio ao meu encontro, trazia consigo a familiaridade próxima daqueles que não levantam barreiras, e começou a descrever uns cestos de cerejas que havia preparado para oferecer aos seus amigos. Não falou do Jornal do Fundão a propósito do qual nos encontrávamos, nem da filha, Maria José Paulouro, a figura que muitos anos antes nos relacionara, nem da política escaldante da altura. Não, António Paulouro falou da qualidade das cerejas, da chuva que havia deteriorado grande parte da colheita, da diferença entre as cores, as escuras e as apenas vermelhas, para dizer que dentro de cada cesto havia colocado um livro. E enumerou os títulos dos livros que tinha enviado aos amigos de mistura com as cerejas. Os nomes dos amigos, os títulos, as cerejas" - do depoimento de Lídia Jorge que deu entrada neste blogue.
"Certa vez, António Paulouro veio ao meu encontro, trazia consigo a familiaridade próxima daqueles que não levantam barreiras, e começou a descrever uns cestos de cerejas que havia preparado para oferecer aos seus amigos. Não falou do Jornal do Fundão a propósito do qual nos encontrávamos, nem da filha, Maria José Paulouro, a figura que muitos anos antes nos relacionara, nem da política escaldante da altura. Não, António Paulouro falou da qualidade das cerejas, da chuva que havia deteriorado grande parte da colheita, da diferença entre as cores, as escuras e as apenas vermelhas, para dizer que dentro de cada cesto havia colocado um livro. E enumerou os títulos dos livros que tinha enviado aos amigos de mistura com as cerejas. Os nomes dos amigos, os títulos, as cerejas" - do depoimento de Lídia Jorge que deu entrada neste blogue.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Este é um daqueles lugares do Mundo
Filme em Sagres
"Lá fora o vento sopra de todos os pontos cardeais. Este é um daqueles lugares do Mundo que nenhum sonho de Disneylândia deveria tocar. Intimamente, faço votos para que vários filmes, de vária natureza, sejam realizados sobre este Promontório, escolhido por um príncipe terrível para seu último travesseiro. Que esses filmes sejam necessariamente longos e, quando exibidos, que já ninguém saia antes da última imagem" - da crónica de Lídia Jorge (Público, 20 de agosto de 2011) que deu entrada neste blogue.
"Lá fora o vento sopra de todos os pontos cardeais. Este é um daqueles lugares do Mundo que nenhum sonho de Disneylândia deveria tocar. Intimamente, faço votos para que vários filmes, de vária natureza, sejam realizados sobre este Promontório, escolhido por um príncipe terrível para seu último travesseiro. Que esses filmes sejam necessariamente longos e, quando exibidos, que já ninguém saia antes da última imagem" - da crónica de Lídia Jorge (Público, 20 de agosto de 2011) que deu entrada neste blogue.
sábado, 3 de setembro de 2011
[ENTRADAS] Têm dificuldade em entender o nosso adiamento
Alemães em nossa casa
"É injusto baralhar tudo, confundir governos com estados, e sobretudo atribuir a pessoas, intérpretes de histórias diferenciadas e irrepetíveis, essa estranha entidade abstracta que se chama a alma de um povo, alguma coisa onde se vão pendurando os erros de alguns para estigma de todos. Se essa confusão é inconveniente seja onde for, é-o particularmente em Portugal, e mais inconveniente ainda numa região como o Algarve que faz da convivialidade a sua marca, e dela a matéria da sua própria sobrevivência. Alemães comuns, portugueses comuns, afinal, metidos na barca comum da mesma deriva monumental. Tal como os Dahler e os Swinton bem o sabiam, há uma década atrás, também nós não estamos em tempo de ir buscar aos farrapos da História palavras que nos separem. Antes pelo contrário" - da crónica de Lídia Jorge (Público, 24 de agosto de 2011) que deu entrada neste blogue.
"É injusto baralhar tudo, confundir governos com estados, e sobretudo atribuir a pessoas, intérpretes de histórias diferenciadas e irrepetíveis, essa estranha entidade abstracta que se chama a alma de um povo, alguma coisa onde se vão pendurando os erros de alguns para estigma de todos. Se essa confusão é inconveniente seja onde for, é-o particularmente em Portugal, e mais inconveniente ainda numa região como o Algarve que faz da convivialidade a sua marca, e dela a matéria da sua própria sobrevivência. Alemães comuns, portugueses comuns, afinal, metidos na barca comum da mesma deriva monumental. Tal como os Dahler e os Swinton bem o sabiam, há uma década atrás, também nós não estamos em tempo de ir buscar aos farrapos da História palavras que nos separem. Antes pelo contrário" - da crónica de Lídia Jorge (Público, 24 de agosto de 2011) que deu entrada neste blogue.
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